A equipe responsável pelo Cleanit® EC
Por trás da patente

Tirando máximo proveito do potencial purificador dos pós metálicos

Ao usar uma tecnologia pouco utilizada – a eletrocoagulação – e explorar como os pós metálicos poderiam melhorar seu uso, uma pequena equipe da Höganäs conseguiu desenvolver o Cleanit ® EC, uma nova maneira de purificar efluentes industriais.

“Quando entrei na Höganäs, eu nem sabia que existiam pós metálicos”, admite Madan Tandukar, que juntamente com Kyle Unger e Paul Endler desenvolveu a tecnologia patenteada do Cleanit EC. “Ainda assim, tivemos que inventar várias maneiras de utilizar metais em pó para o tratamento de efluentes”.

Depois de inúmeras revisões de literatura, pesquisas iniciais e leituras mais aprofundadas, Madan se deparou com a eletrocoagulação – um conceito que ele recordou da época de seus estudos, mas no qual não pensara muito desde então. “A eletrocoagulação existe há décadas e seu potencial em termos de desempenho era muito bom”, lembra Madan. “Porém, historicamente, não é economicamente viável para o tratamento da água devido ao seu alto consumo de eletricidade.”

Tendo agora se familiarizado com os pós e os processos de produção da Höganäs, Madan e sua equipe tiveram a ideia de fabricar os eletrodos usados na eletrocoagulação a partir de pós metálicos, em vez de chapas metálicas convencionais. “No começo, simplesmente acondicionei o pó solto em pequenos recipientes de plástico e os usei como eletrodos – apenas para provar o conceito”, diz Madan. “Esse se tornou nosso protótipo e acabou funcionando. Então fomos capazes de levá-lo para o laboratório de controle de qualidade da Höganäs, onde seus profissionais foram capazes de nos ajudar a prensar alguns pós metálicos em barras de eletrodos.”

Logo, os pilotos estavam sendo utilizados no Brasil e nos EUA, onde inicialmente os resultados não foram tão promissores. No entanto, ao refinar continuamente o design e otimizar os processos, a equipe de três conseguiu manter a eficácia da tecnologia na remoção de contaminantes em altos níveis, ao mesmo tempo em que diminuía o consumo de energia.

“Obviamente, não conseguimos isso no primeiro dia”, diz Kyle Unger. “Nosso primeiro design consumiu muito mais energia do que queríamos e não era muito eficiente. Entretanto, ao longo de vários testes, fomos capazes de projetar as células da maneira que operaríamos e para consumir muito menos energia.”

Os novos eletrodos de pó metálico também tinham outras limitações que a equipe precisava superar. Por um lado, em comparação aos eletrodos convencionais, eles não podiam ser fabricados em tamanhos maiores. A solução que encontraram foi projetar uma célula que pudesse abrigar vários eletrodos, para que agissem como um único eletrodo e isso compensasse a diferença de tamanho. Isso não apenas aumentou a durabilidade dos eletrodos, como também permitiu facilidade de manutenção – dois critérios vitais para a viabilidade da tecnologia.

“Depois de obter todas as vantagens do menor consumo de energia, não queríamos sacrificar esses ganhos em outras áreas, tais como aumentar os custos de serviço e manutenção”, conta Paul Endler. “Por esse motivo, empregamos muita engenharia para garantir que nossos eletrodos de pó metálico tivessem a mesma vida útil que os eletrodos convencionais”.

Um pedido de patente foi feito em 2013 e, em 2015, um produto final – com o nome comercial de Cleanit EC – estava pronto para entrar no mercado. O resultado foi um produto capaz de extrair altos concentrações de contaminantes de efluentes com muito mais eficiência do que qualquer outro sistema no mercado. Além disso, também era mais econômico do que os produtos da concorrência – tanto em termos de despesas de capital quanto de custos operacionais mais baixos.

“Ao criar novos eletrodos usando pó metálico, conseguimos reintroduzir a eletrocoagulação no mercado”, diz Madan. “Só que agora a tecnologia é mais eficiente, mais econômica e mais sustentável”.